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Opinião: Foco no que importa
15/4/2019

Grandes questões da agenda nacional, como estímulo à geração de emprego, precisam recuperar seu protagonismo

Após um 2018 em que a indústria da construção viu seu PIB cair 2,5% e seu nível de emprego declinar 2,3%, os dados do primeiro trimestre de 2019 indicam que a perspectiva de retomada do crescimento do setor está mantida, porém em ritmo lento.

A construção empregou mais 30 mil trabalhadores (+1,35%) no primeiro bimestre. Na comparação com o mesmo período de 2018, as contratações de pessoal cresceram nas obras de instalações e nos serviços de engenharia que precedem a edificação de empreendimentos.

Privatizações de aeroportos se concretizaram com sucesso, prenunciando obras de infraestrutura no futuro.

Entretanto, o emprego nas principais atividades do setor, como construção imobiliária e obras de infraestrutura, registrou quedas na mesma comparação. Em março, a Sondagem da Construção da FGV mostrou declínio nos Índices de Situação Atual e de Expectativas da Construção, após meses de redução gradual do pessimismo.

A expectativa segue sendo de lenta retomada do crescimento do setor em 2019, algo próximo dos 2%, porém agora com viés de baixa e sustentada principalmente pelo aumento das obras de reformas e autoconstrução, e não pela construção formal.

Um crescimento mais robusto da construção formal seria altamente desejável, por seu elevado potencial de geração de emprego e sua contribuição a um aumento maior do PIB.

Há risco de essa expectativa não se concretizar, devido a fatores como: imprevisibilidade em relação à necessária aprovação da Reforma da Previdência; diminuição dos recursos de governo ao programa Minha Casa, Minha Vida, que hoje movimenta dois terços dos empreendimentos imobiliários; queda da confiança dos consumidores e dos investidores, e piora no cenário externo.

Em contraposição a estes riscos, mais medidas precisam ser adotadas, para além da imprescindível Reforma da Previdência. A formatação de novas privatizações e concessões, e de um marco regulatório que garanta retorno e segurança jurídica, atrairá investimentos externos para a construção e outros setores estratégicos.

Deslanchar a reforma tributária será outra destas medidas, desde que mudanças como a tributação de dividendos não afugente investidores, e a adoção de um imposto sobre valor agregado não onere custos dos insumos.

Diminuição da desburocratização e aumento da produtividade também precisam ser acelerados. Aguarda-se medida para que as contratações de obras do governo passem a ser feitas em BIM (Modelagem da Informação da Construção), que tornou o setor mais produtivo.

Estes são temas essenciais para ocuparem o debate nacional, e não as questões ideológicas desprovidas de importância, que têm a atenção diária do governo e da mídia. Se o foco voltar a ser nos grandes desafios da agenda nacional, o país agradecerá.

Fonte: Opinião do SindusCon-SP publicada na Folha de S. Paulo em 14/4/2019

 

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