NOTÍCIAS
 
A economia da eficiência
14/5/2019

Empresas brasileiras apostam na gestão energética em busca da redução dos custos. Mas o tema ainda é um desafio para boa parte delas

No estado do Pará, cerca de 550.000 toneladas de resíduos de açaí são descartadas todos os anos. Isso se deve ao fato de que apenas 20% desse fruto amazônico, importante motor da economia local, é polpa. A maior parte do volume do açaí é constituída pelo caroço, que até então tinha pouca ou nenhuma utilidade. Ora encaminhado a aterros, ora sem destinação adequada, esse material se tornava, invariavelmente, rejeito.

No ano passado, a Votorantim Cimentos, que tem uma fábrica em Primavera, a 200 quilômetros de Belém, aproveitou 40.000 toneladas de massa seca de caroço de açaí como combustível para seus fornos. No final de 2017, a biomassa de açaí passou a substituir parte do coque de petróleo, combustível fóssil importado dos Estados Unidos e principal insumo na geração de energia térmica, necessária aos fornos de fabricação de cimento.

Hoje, 14% dessa energia vem da queima do resíduo de açaí. A parcela de substituição chega a uma média de 30% em 14 das 33 fábricas de cimento do grupo Votorantim no país. A meta da empresa é ultrapassar o índice de 40% em cinco anos. “Conseguimos lidar com uma questão problemática para a comunidade local com uma geração mais eficiente de energia”, afirma Eduardo Porciúncula, gerente-geral de combustíveis alternativos da Votorantim Cimentos.

A aposta alta no ganho de eficiência energética, no entanto, ainda não é uma prática comum entre as empresas brasileiras. Segundo o American Council for an Energy-Efficient Economy (“Conselho americano para uma economia eficiente em energia”, numa tradução livre), que avalia as políticas públicas e as práticas empresariais de gestão eficiente de energia das maiores nações consumidoras, o Brasil ainda está bastante aquém de seu potencial.

Dos 25 países listados (que representam quase 80% do consumo de energia global), o Brasil ocupa a 20ª posição. Entre as razões do baixo desempenho está a ausência de mão de obra qualificada dedicada ao tema da eficiência energética nas indústrias. Outra métrica evidencia o longo caminho que o país tem a percorrer: a ISO 50001, norma internacional de qualidade que estabelece parâmetros para a boa gestão de energia, só é adotada por 49 empresas por aqui. Na Alemanha, são 8.314 companhias certificadas.

Fonte: Revista Exame

 

Notícias anteriores

 
Abrinstal - Associação Brasileira pela Conformidade e Eficiência de Instalações