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Apesar da crise, setor de gás natural deve crescer com a cogeração
10/6/2019

O presidente executivo da Cogen, Newton Duarte, disse em entrevista à Revista ASPACER, que as perspectivas de crescimento do setor são altamente positivas, apesar da crise que o País enfrenta. Para o executivo, a produção de energia elétrica e calor, a partir do gás natural, é uma alternativa que possibilita gerar economia no custo com uma das principais matérias primas das indústrias que usam esta matriz energética. O setor tem capacidade de produzir 7,2 GW, o que significa meia usina hidrelétrica de Itaipu.

RA – Com o aumento das demandas do setor industrial para processos mais ágeis e eficientes, diversos setores têm buscado por alternativas para geração de energia elétrica. Uma delas é a cogeração a gás natural. Quais as perspectivas para esse mercado?

ND – As perspectivas são de crescimento. O que vemos é que, na medida em que o setor industrial vá tomando conhecimento das vantagens da cogeração, como denominamos a produção simultânea e de maneira sequenciada de duas ou mais formas de energia – normalmente a produção de eletricidade e energia térmica a partir de uma única fonte. Os sistemas de cogeração apresentam como vantagens para o setor industrial: maior confiabilidade de fornecimento de energia, melhor qualidade da energia produzida e elevada eficiência energética, quando comparado aos sistemas tradicionais de geração de eletricidade

Para o setor cerâmico, em particular, o calor constante é importante para a produtividade dos processos e qualidade do produto.

RA – A cogeração propõe também aliar autossuficiência energética, sustentabilidade e qualidade da energia elétrica recebida, fatores que são bem-vindos para diversos segmentos do setor industrial. Uma das cerâmicas da região já utiliza da cogeração. Qual a expectativa do segmento de cogeração para o setor cerâmico como um todo?

ND – A expectativa é muito positiva. A indústria cerâmica já conhece os benefícios do gás natural, o principal insumo depois da matéria-prima. Na cogeração, há um ganho de eficiência porque o uso do gás natural, além de garantir a energia elétrica que abastece as instalações da unidade industrial, pode ter o calor dos gases efluentes das turbinas ou motores utilizados em outro processo como, por exemplo, a secagem da cerâmica – caso da Delta, em Rio Claro, em projeto desenvolvido com a Comgás.

RA – Existe algum projeto incentivado pelo governo que possa estimular o uso da cogeração a gás natural?

ND – Sim, o órgão regulador do setor elétrico, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), emitiu uma Resolução Normativa antes mesmo do novo modelo do setor em 2004 que estabeleceu a cogeração qualificada, ou seja, permite aumentar a competitividade do investimento em função de uma tarifa diferenciada, que pode ser obtida com a homologação do projeto na Aneel, atestando a elevada eficiência energética do projeto, com simultaneidade próxima de 100%.

Na Audiência Pública 01/2019 aberta pela Aneel para discutir melhorias na Resolução 482, nós defendemos a importância da Aneel reconhecer a cogeração qualificada e favorecer que novos

projetos com até 5MW de potência tenham maior viabilidade, com rentabilidade para investidores e redução de custos para as indústrias consumidoras de calor e energia elétrica. A nossa estimativa é que o potencial de evolução dessa fonte é de 7,2 GW, o que equivale a meia Itaipu. Uma das regras que defendemos é que as unidades que instalem uma cogeração a gás natural possam comercializar os excedentes de energia elétrica. Também temos acompanhado as discussões sobre o chamado ‘Novo Mercado de Gás’, no âmbito do Ministério de Minas e Energia, e vamos dar nossas contribuições para que a cogeração e a Geração Distribuída a gás natural possam ter seus atributos reconhecidos na elaboração de uma nova política para o setor.

RA – Desde 2017, a ASPACER realiza o Fórum Brasileiro do Gás Natural, que através de um ambiente estratégico, tem promovido discussões importantes trazendo um balanço do atual cenário institucional, mercado- lógico e regulatório do gás natural no Brasil. Estamos nos preparando para a 3ª edição. Em sua opinião, qual a importância deste evento?

ND – A relevância desse fórum certa- mente já ultrapassou as fronteiras do setor cerâmico. O gás natural é uma fonte de energia essencial para o desenvolvi- mento do País e de sua indústria.

O Brasil conta com reservas significativas pra aumentar sua produção no Pré-Sal e em outros campos e a possibilidade de ampliar a oferta com a importação a preços competitivos de gás da Bolívia e via terminais de GNL.

Além disso, o gás natural é fundamental para a segurança energética do País, pois é uma fonte despachável, firme e com armazenamento. Portanto, iniciativas como a da ASPACER contribuem para fomentar a discussão sobre como o País, adotando as medidas cor- retas, pode ampliar a oferta e garantir que o insumo chegue ao setor produtivo em condições mais competitivas, assegurando uma maior eficiência à produção brasileira, ampliando as chances de exportações e, desse modo, gerando empregos e renda.

Fonte: Revista da Aspacer

 

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