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Rio Grande do Norte tem a primeira Casa Passiva certificada da América Latina
11/6/2019

Modelo alemão de construção sustentável pode apresentar redução de energia de até 90% se comparado a uma casa tradicional

O conceito Passivhaus, ou Casa Passiva, em português, foi criado para denominar um modelo arquitetônico que une sustentabilidade à eficiência energética. O projeto foi criado na década de 1980, na Alemanha, e desde então vem sendo disseminado em construções de vários países do mundo, principalmente na Europa. Na América Latina, a primeira Casa Passiva certificada pelo Passive House Institute foi inaugurada no ano passado no Brasil. A cidade de Natal, no Rio Grande do Norte, recebeu a construção por meio de uma parceria entre a Federação das Indústrias do Rio Grande do Norte (Fiern), o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai-RN) e os governos do Rio Grande do Norte e da Alemanha. A edificação, que foi instalada no Centro de Educação e Tecnologias do Senai, foi feita seguindo todos os parâmetros do modelo alemão e utilizando materiais importados. Inicialmente, o imóvel será usado como laboratório para estudos e pesquisas, servindo como base para o ensino profissional em diversas áreas de conhecimento. A intenção das entidades envolvidas é fazer a adaptação da tecnologia para o Brasil, para que, no futuro, o modelo possa ser aplicado em construções nacionais.

A denominação Casa Passiva vem do fato de esse tipo de edificação ser capaz de gerenciar sua climatização, com o mínimo consumo energético. Aparentemente, a casa se assemelha a uma construção normal, mas, na realidade, as diferenças entre esse tipo de construção e uma casa comum vêm desde os materiais utilizados. No conceito alemão, as casas são construídas com blocos encaixáveis, compostos de isopor e argila. A estrutura é feita utilizando somente a quantidade necessária de material para unir os blocos, evitando o desperdício e a geração de resíduos. Além de reduzir o tempo da construção, o material permite o controle interno da temperatura no interior da residência. Além disso, as portas e janelas de vidro duplo são instaladas de forma a aproveitar a luz natural, mas sem deixar que os raios solares aqueçam demais o ambiente.

A casa conta ainda com uma estação responsável por fazer todo o tratamento do ar que entra e sai do imóvel, fazendo o controle para que a temperatura fique sempre entre 22ºC e 25ºC. Dessa forma, toda a estrutura visa à manutenção de um ambiente com clima ameno, sem a dependência total de aparelhos de climatização, como ocorre nas residências tradicionais. O sistema de iluminação é todo composto por lâmpadas de LED, equipamento com comprovada eficiência energética. Para o abastecimento de energia, a Casa Passiva conta ainda com uma usina solar fotovoltaica, que auxilia no funcionamento desses sistemas. De acordo com o diretor regional do Senai, Emerson Batista, utilizando todos esses recursos, a economia de energia pode chegar de 80% a 90%, se comparado ao consumo de uma casa normal.
A técnica da Casa Passiva permite uma otimização dos recursos energéticos principalmente com os sistemas de climatização
“Olhando para a casa construída, particularmente, não se visualizam mudanças. O segredo está no tempo de construção bem mais rápido, visto que sua construção é semelhante a um "lego", com blocos via encaixe além dos insumos dessa construção. Os blocos (ou tijolos), por exemplo, são fabricados à base de argila e isopor, o que permite maior isolamento de calor (ou frio, nos países frios como Alemanha) permitindo a manutenção na maior parte do tempo de temperatura constante dentro da casa, independente da temperatura externa ser -30 ou + 30 graus, assim como a base do piso e do forro, diminuindo consideravelmente o consumo de energia, que por sua vez, deve ser gerada à base de placas fotovoltaicas, diminuindo o consumo da rede elétrica convencional”, explica o diretor regional do Senai-RN, Emerson Batista.

Além de todo o aparelhamento interno, a casa modelo conta ainda com um sistema de irrigação que aproveita a água da chuva para a manutenção do gramado. Uma manta com dutos instalada por baixo do solo leva todos os nutrientes necessários para o desenvolvimento da grama, sem que seja preciso irrigar o solo. O diretor regional do Senai salienta que a intenção é fazer o máximo aproveitamento dos recursos naturais disponíveis: “O conceito busca trazer o máximo de sustentabilidade, desde a utilização e reutilização de insumos naturais, como otimização de recursos existentes como uso de águas pluviais, energia solar, reaproveitamento de águas servidas, menor custo de energia, entre outros”, afirma.

De olho no futuro

Segundo Emerson Batista, a iniciativa da construção da Casa Passiva Gerold Geppert surgiu da colaboração entre o Brasil e Alemanha, para o intercâmbio de conhecimentos. A parceria já dura mais de 10 anos, e envolve entidades como a Fiern, o Senai-RN e o consulado do governo alemão no Nordeste, além de instituições daquele país, como a Agência de Cooperação Alemã – GIZ, o Instituto Franhoufer, e o Instituto Casa Passiva (Passive House Institute), entre outras. A construção da casa laboratório é considerada a primeira etapa do projeto, que prevê ainda a adaptação da tecnologia alemã para o Brasil, com a qualificação de mão de obra e produção dos insumos.
Economia de energia da Casa Passiva pode chegar a 90% em comparação com uma casa construída de forma convencional
Para tanto, estão previstos cursos de qualificação profissional para a construção e reforma de edificações com eficiência energética pelo Senai. Também já se estuda a possibilidade da fabricação dos tijolos usados na edificação por indústrias do Rio Grande do Norte. Atualmente, segundo o diretor regional do Senai-RN, estão sendo realizados estudos científicos para viabilizar a normatização dos blocos. O objetivo é fazer com que a implantação do projeto Casa Passiva se torne mais acessível, para que o projeto possa ser replicado no país.

“Nesse primeiro momento foi utilizada totalmente a tecnologia alemã e, por isso, o custo ainda é alto. A ideia da construção é justamente iniciar a tropicalização da tecnologia, realizar estudos para produção e certificação dos materiais como os blocos construtivos, por exemplo, que são desconhecidos dos utilizados nas construções brasileiras, buscar fabricantes interessados, além dos demais materiais”, afirma Emerson Batista.

Fonte: ProcelInfo

 

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