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Gestão de energia ao alcance das PMEs
19/08/2019

Convênio entre a Eletrobras e a Abrinstal visa criar mecanismos para estimular a gestão de energia em diversos segmentos da economia

A energia elétrica é uma das maiores despesas de diversos segmentos da economia brasileira. Num cenário de estagnação econômica, Bandeira Tarifária na cor vermelha e aumentos contínuos no valor da conta de luz, a gestão eficiente da energia elétrica pode ser uma grande vantagem competitiva para a indústria, companhias de eletricidade, de saneamento ou gás, para o comércio e, principalmente, para as Pequenas e Médias Empresas (PME). Criar alternativas para uma melhor utilização da energia é um dos focos do convênio entre a Eletrobras, por meio do Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica (Procel), e a Associação Brasileira pela Conformidade e Eficiência das Instalações (Abrinstal). A parceria estimula e potencializa o Comitê Brasileiro de Gestão e Economia de Energia (ABNT/CB-116), que tem como áreas de atuação a normalização no campo de gestão e economia da energia, compreendendo aspectos como desempenho energético, usos da energia, eficiência energética, verificação da melhoria contínua na área de gestão da energia, metodologias para cálculo de economia da energia em projetos, organizações e regiões, guias de medição e verificação e conformidade da qualidade de dados relacionados, inserindo a temática no alto nível das organizações.

Para o engenheiro eletricista da Eletrobras, Carlos Aparecido Ferreira, o convênio fortalece o ABNT/CB-116 como instrumento de fomento às ações de gestão e economia de energia. Ele menciona que, juntamente com a Abrinstal, o comitê conta com parceiros como o Procobre, a Sabesp Congás e a Alubar, e parceiros institucionais como os Ministérios de Minas e Energia e do Meio Ambiente. “Esse convênio alavanca o trabalho que já era feito há cerca de uma década pela Abrinstal, coordenadora do ABNT/CB-116, por meio de diversos instrumentos. Nós temos um planejamento de elaboração de um Plano de Negócios para tornar as atividades sustentáveis, independentemente de recursos financeiros do Procel. Temos também uma iniciativa que permite o financiamento da participação de especialistas brasileiros que trabalham ativamente na elaboração das normas internacionais. E há uma terceira iniciativa, que é a disseminação do conhecimento”, afirma.

Uma das prioridades do convênio é criar mecanismos para estimular a implementação de certificações na área de gestão de energia, tendo a ISO 50001 como pilar. Publicada em 2011, a norma foi atualizada em agosto de 2018 para acompanhar evoluções na área de energia e acelerar a sua adoção em outras partes do mundo. Dados divulgados no final de 2018 mostram que, das 22.870 certificações ISO 50001, a maioria (19.024) estava na Europa. No Brasil, apenas 49 organizações haviam conseguido a certificação até esta data. Para Carlos Aparecido, a revisão da norma tem grande potencial de estimular novas adesões, já que o fato de ela agora estar com uma linguagem mais próxima de outras normas da ISO, como a 9001 (Gestão da Qualidade) e a 14001 (Sistema de Gestão Ambiental), será um facilitador para que outras organizações brasileiras queiram implementar a certificação para gestão de energia. “Na verdade, os números da ISO 50001 no Brasil ainda são baixos, comparados à comunidade europeia, que sempre teve uma cultura forte de gestão, mas a nossa expectativa é que, com o trabalho junto com a Abrinstal, a gente consiga um número maior de empresas certificadas, principalmente aquelas que já possuem outras certificações ISO, como a ISO 9001 e 14001”, explica.
Estimular a implementação de certificações na área de gestão de energia, como a ISO 50001, é uma das prioridades do convênio entre a Eletrobras/Procel e a Abrinstal

O engenheiro revela que o Brasil possui um potencial imenso de implementação da ISO 50001, em diversas organizações e não somente em indústrias. Ele lembra que a norma ISO é destinada para todo tipo de organização que tenha gestão sobre a energia que consome. “Muita gente acaba se enganando, achando que a ISO 50001 é somente para a indústria. Não é bem isso. A ISO 50001 é para qualquer tipo de organização, independentemente de seu tamanho e localização. Então, ela pode ser aplicada numa indústria, numa cooperativa de transportes, num posto de gasolina, num estabelecimento comercial, entre outros. O único condicionante é que a organização precisa ser responsável pela gestão da sua energia. Se ela terceirizou essa responsabilidade, não pode receber a ISO. Mas, em regra, você não teria nenhuma limitação em relação ao tamanho”, explica Carlos Aparecido.

Opinião semelhante tem Alberto J. Fossa, diretor executivo da Abrinstal e vice-chair internacional dos trabalhos de gestão e economia de energia. Para ele, a gestão da energia é sempre um bom negócio, tanto do ponto de vista financeiro, com a redução dos gastos com energia elétrica e aumento da competitividade, como para o meio ambiente, com a redução da emissão de gases do efeito estufa. “É fundamental o Brasil discutir como ser mais eficiente no uso da energia. Há um potencial muito grande de economia nessa área em praticamente todos os setores, principalmente indústrias e sistemas prediais”, destaca o diretor da Abrinstal.

Ele cita que os grandes consumidores de energia, como indústrias, hospitais, universidades, shopping centers, supermercados, são organizações com grande viabilidade de implementação da norma. Mas ele vê um potencial muito maior no segmento de Pequenas e Médias Empresas. Como o custo de implementação da ISO 50001 não é muito elevado, a certificação para esse segmento pode resultar em ganhos significativos de eficiência energética e de aumento de competitividade.

Para Carlos Aparecido, a ISO 50001 institucionaliza a cultura da gestão de energia em uma empresa. “A ISO 50001 requer um envolvimento institucional da organização na Gestão e Economia de Energia. Requer o envolvimento, em nível estratégico, da direção das organizações, a necessidade de existir uma equipe de gestão e economia de energia para ter toda essa liderança.”, destaca.

Para o segmento de PMEs, Carlos Aparecido revela que uma iniciativa internacional para estimular a certificação de empresas nesse segmento está sendo priorizada pelo ABNT/CB-116. Trata-se da ISO 50005 (Implementação em Fases do Sistema de Gestão da Energia). Ainda em etapa inicial de discussão, esse documento visa apresentar um passo a passo para a implementação de Sistemas de Gestão de Energia em pequenas e médias organizações. O engenheiro acredita que esse novo documento amplia as possibilidades de estímulo à implementação da ISO 50001 em organizações de menor porte no Brasil, já que atualmente a implementação dessa norma se dá predominantemente em grandes indústrias e em multinacionais. “A ISO 50001 fala que a organização deve fazer o mapeamento de onde vai melhorar o desempenho energético, devendo avaliar dois fatores. O consumo e/ou o potencial de economia de energia. Se uma empresa possui uma área com grande consumo de energia, ela pode começar implementando a ISO por lá, em vez de iniciar a certificação por toda a planta. Pode começar com uma parte pequena, com grande potencial, e depois aumentando gradativamente em um sistema de melhoria contínua da gestão da energia da empresa. Então, por exemplo, se você pegar um hospital, você pode começar inicialmente abrangendo determinado setor, determinado uso final, e, passo a passo, você vai fazendo a gestão e a melhoria contínua do desempenho energético”, explica.


As diretrizes para a ISO 50005 foram estabelecidas nas últimas reuniões e plenária internacional, que ocorreu em junho na sede das Nações Unidas de Viena. Nessa ocasião, a propósito, a delegação brasileira, financiada com recursos do convênio, conseguiu defender a aprovação de todos os votos estratégicos brasileiros.

Próximas ações do CB-116

A parceria entre a Eletrobras e a Abrinstal prevê, além de projetos na área de normalização, o fomento, apoio e divulgação de ações relacionadas às normas de gestão e economia de energia no âmbito nacional e internacional. Para levar cada vez mais conhecimento aos interessados no tema, foi realizado em maio, no Rio de Janeiro, o 1º Workshop de Gestão e Economia de Energia. Reunindo diversos representantes da indústria, universidades, associações e demais interessados na gestão de energia, o evento discutiu temas relacionados ao desenvolvimento da normalização nacional e internacional sobre gestão e economia de energia, como as normas ISO 50001, ISO 50004, 50005 e 50006, e propostas nacionais da ABNT/CB-116 (Comitê Brasileiro de Gestão e Economia de Energia).

“Esse workshop, que foi o primeiro previsto no convênio, teve exatamente o objetivo de levar informação e disseminar conhecimento em gestão e economia de energia. O nosso convênio com a Abrinstal também prevê a realização de mais duas edições do workshop, que pretendemos levar para outras regiões do país, fora do eixo Rio, São Paulo, Brasília, além da 9ª Edição do Fórum Brasileiro de Gestão e Economia de Energia, o segundo fomentado pelo convênio”, revela Carlos Aparecido. O engenheiro destaca que "enquanto os workshops têm objetivos mais técnicos, o fórum é mais político-estratégico".

O 9º Workshop de Gestão e Economia de Energia está previsto para acontecer no dia 06 de novembro, na FIESP, na cidade de São Paulo.

Fonte: ProcelInfo

 

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