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Eficiência energética de edificações ainda está distante
15/5/2018

O Brasil ainda enfrenta diversos obstáculos para dotar seus edifícios de eficiência energética: ausência de norma técnica para o envoltório que assegure economia de energia; códigos de obras municipais ineficazes do ponto de vista dessa eficiência; proliferação de aparelhos de ar condicionado com alto dispêndio de energia; elevado grau de informalidade na edificação de moradias para baixa renda; obrigatoriedade de eficiência apenas para edifícios públicos federais novos ou “retrofitados”, sem previsão de punição para o descumprimento dessa diretriz, entre outros.

As colocações foram feitas pelo professor Roberto Lamberts, da Universidade Federal de Santa Catarina, no workshop do Energy Day da Parceria Energética Brasil-Alemanha, em 9 de maio, no SindusCon-SP. O evento, promovido pelos Ministérios de Minas e Energia (MME) e Relações Exteriores do Brasil e dos Assuntos Econômicos e Energia da Alemanha, foi realizado pelo Conselho Alemão para a Cooperação Internacional (GIZ), com o apoio do sindicato.

Ao abrir o evento representando o presidente do SindusCon-SP, o vice-presidente de Economia, Eduardo Zaidan, destacou que “a temática da transição das matrizes energéticas no mundo para fomentar a sustentabilidade ambiental é fundamental e vai ao encontro da preocupação da indústria da construção brasileira em promover a construção sustentável”.

“O SindusCon-SP orgulha-se de participar deste processo desde a década de 90, quando nosso Comitê de Meio Ambiente (Comasp) começou a disseminar informações e capacitar as construtoras no tema. Esta entidade também participa ativamente dos principais fóruns onde são delineadas as estratégias socioambientais para o Estado de São Paulo e para o Brasil. Nossa parceria com a GIZ e com o Ministério de Minas e Energia tem nos permitido desenvolver trabalhos importantes voltados à eficiência energética nas edificações. Participamos ativamente da criação e do fomento ao Selo Procel Edifica”, afirmou.

Observando que a entidade está atenta às oportunidades de expansão do aproveitamento da energia solar, o vice-presidente também comentou a necessidade de superação de desafios técnicos e burocráticos para que a geração distribuída, que hoje representa menos de 1% da matriz energética brasileira, chegue a 10% até 2030.

Já o professor Lamberts defendeu a necessidade de o Brasil mexer-se mais rapidamente rumo à eficiência energética de edificações, buscando normatizar a eficiência dos envoltórios, deixando de importar equipamentos de ar condicionado ineficientes da China e educando o usuário à utilização de eletrodomésticos eficientes. Ele ainda informou que o Inmetro está preparando uma nova etiquetagem para edificações, mais abrangente que a atual.

Efeito rebote

Carlos Alexandre Príncipe Pires, diretor do Departamento de Desenvolvimento de Energia do MME, chamou a atenção para o “efeito rebote”, que acontece especialmente nos países desenvolvidos: quando o usuário se beneficia da eficiência gastando menos com energia, passa a utilizá-la mais – por exemplo, deixando o aquecimento ligado à noite, quando não é necessário. Lamberts também mostrou o maior consumo de energia que ocorre nas residências de famílias de maior renda.

Pires manifestou a expectativa de que em 2030 2,7 milhões de pessoas tenham geração distribuída em suas residências e reconheceu o desafio de tornar a eficiência energética atrativa do ponto de vista do custo-benefício. “Enquanto na Alemanha se aceita um retorno de 8,5 anos sobre o investimento, no Brasil dificilmente o investidor concorda com um prazo superior a dois anos; e até tivemos um caso de um industrial que recusou o prazo de um mês.”

Ursula Borak, diretora adjunta para Política Energética Internacional do Ministério de Assuntos Econômica e Energia da Alemanha, informou que seu país definiu o alcance da meta de atingir 80% da produção energética a partir de fontes renováveis até 2050. “Nossa diretriz é ‘Eficiência Primeiro’. No momento, estamos bastante envolvidos no desenvolvimento de uma plataforma internacional de eficiência energética no âmbito do G-20, onde o Brasil desempenha um papel ativo.”

No Brasil, há 40 mil consumidores e 27 mil geradores de energia distribuída; estes recebem créditos, uma vez que a venda não é permitida, informou Samira Sana, coordenadora de Eficiência Energética do MME. Segundo ela, o governo está propondo a criação de um comitê na ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) para eficiência energética em edificações.

Estefânia Neiva de Mello, do Procel, agradeceu ao SindusCon-SP pelo apoio ao Selo Edifica. Segundo ela, no momento este programa governamental busca dados mais consistentes sobre o consumo energético, melhoras na eficiência da edificação em operação e compreensão sobre a geração distribuída.

Estratégia alemã

A importância de combinar informação sobre os benefícios da eficiência, exigências legais e incentivos à sua adoção têm garantido o sucesso da Alemanha nessa área, comentou Johannes Thomas, do Escritório Alemão para Assuntos Econômicos e Controle de Exportação (Bafa/BMWi). Segundo ele, naquele país combinam-se soluções de eficiência nas edificações com uso de energia solar e de aquecimento por energia gerada de biomassa.

“Os subsídios só vão para aqueles que demonstram ir além das metas exigidas”, destacou. E informou que uma das iniciativas do governo é dar consultoria individual para cada retrofit a ser executado nos prédios antigos do país. A União Europeia tem uma taxa anual obrigatória de retrofit em prédios públicos.

O conceito e as edificações de Casas Passivas – incluindo um protótipo em execução no Rio Grande do Norte – foram apresentados por Camile Sifferlen, do Instituto Casa Passiva. Trata-se de uma residência realizada com técnicas construtivas que levam a um consumo quase zero de energia da rede pública. O instituto também disponibiliza um software para medir o desempenho energético residencial.

Michael Laar, do Conselho Alemão para a Edificação Sustentável, apresentou a atuação de sua instituição, que reúne 1.200 membros de toda a cadeia produtiva da construção e da academia. O conselho outorga uma certificação de eficiência energética que já atingiu 2.800 projetos em 28 países. Ele mostrou que a taxa de juros anual na Alemanha para a comercialização de imóveis está entre 1% e 2%, e assinalou que existe maior percepção do consumidor sobre os benefícios da eficiência.

Por acreditar na eficiência energética e se dispor a sensibilizar os legisladores sobre o tema, o SindusCon-SP apoia o Procel e as atividades da GIZ, afirmou, ao final do evento, Lilian Sarrouf, coordenadora técnica do Comasp.

Fonte: SindusconSP

 

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