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Com custo reduzido, eólica avança na comercialização
25/5/2018

O aumento da demanda por energia renovável tem mobilizado comercializadores no mercado livre, fazendo o lado da oferta compor novos modelos de negócio e enxergar oportunidades na geração eólica, em consequência de um elemento-chave: a redução de custos, que a torna cada vez mais competitiva. “Além dos preços vantajosos, mudanças regulatórias, como o Projeto de Lei 1917/2015, deverão ampliar o acesso à essa fonte por consumidores de menor porte”, prevê Leonardo Gomes, gerente comercial da Votorantim Energia, que planeja investir R$ 3 bilhões nos próximos anos neste novo mercado.

A expectativa da companhia é de quase duplicar os atuais 564 MW contratados de eólica, entre os quais 359 MW do empreendimento Ventos do Piauí III, consolidado neste ano. “A indústria pede soluções de preço e sustentabilidade ambiental”, afirma o executivo. Elbia Gannoum, presidente da Associação Brasileira de Energia Eólica (ABEEólica), reforça: “Trata-se de uma fonte que, além de limpa, já é a mais barata da matriz, tem alto potencial pela produtividade dos ventos no Brasil e se apresenta como estratégia diante dos recentes sinais de insatisfação com os resultados no mercado regulado”.

O país tem hoje mais de 13 GW de capacidade instalada, com 520 parques eólicos em 12 Estados, o que corresponde 8,3% da matriz energética. Em 2017, a geração cresceu 26,2% em relação a 2016, suficiente para abastecer cerca de 67 milhões de habitantes, segundo a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE).

Ao mesmo tempo, o preço da eólica atingiu R$ 98,62 por MWh no primeiro leilão de 2017 e atingiu R$ 67,60 por MWh no recente certame de 2018. A queda é tendência mundial por conta dos avanços tecnológicos e da maior escala de oferta – embora no Brasil, segundo analistas, o atual comportamento dos preços também tenha relação com a conjuntura econômica e com o represamento de projetos eólicos devido à inexistência de leilões entre novembro de 2015 e dezembro de 2017.

Além disso, os valores apresentados nos leilões de eólica são na prática balanceados pela receita adicional com a venda de parte da energia no mercado livre. A estimativa do setor é registrar flutuações até chegar a uma média de preços adequada para um cenário futuro de crescimento econômico e contratações de energia que atendam às necessidades de expansão da matriz elétrica brasileira. “Nunca vi oportunidade tão boa e real aos negócios no mercado livre, cujas receitas poderão ser decisivas para o sustento da cadeia produtiva de eólica, hoje 80% nacionalizada”, reforça Gannoum. Segundo ela, a autonomia seria atingida com a venda total de 2 GW ao ano e como o mercado regulado tem proporcionado uma média anual de 1,5 GW, os restantes 500 MW poderiam ser cobertos pelo mercado livre.

As geradoras têm participado dos leilões para venda de 70% da energia no mercado regulado, o que já banca os investimentos, destinando 30% ao livre, com o objetivo de atingir novos perfis de consumidores. “Há margem para até dobrar os valores de comercialização neste mercado, atingindo clientes que querem reduzir a dependência das atuais fontes”, diz Lucas Araripe, diretor de novos negócios da Casa dos Ventos. A empresa reservou 150 MW que entrarão em operação até 2020 para formatar novas modalidades de negócio capazes de otimizar projetos no mercado livre. “Temos sido muito procurados pelo mercado em busca de soluções viáveis de consumo energético”, conta.

O potencial se comprova pelo crescimento dos certificados de energia renovável (RECs), vendidos a empresas que adotam políticas com metas para uso de fontes limpas. Em 2017, foram emitidos 230 mil RECs, o dobro do ano anterior, e a previsão para 2018 é alcançar a marca de 1 milhão – metade referente à energia dos ventos. “Empresas que reportam emissões de gases de efeito-estufa e a construção sustentável são os principais mercados”, diz Fernando Lopes, diretor do Instituto Totum, organismo de certificação que segue os padrões da plataforma The International REC Standard. No Brasil há 36 usinas eólicas habilitadas a gerar RECs com perspectiva de melhorar preços, fidelizar clientes e abrir espaços no mercado livre de energia.

Fonte: Valor Econômico

 

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