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Horário de verão já não se justifica, segundo a Abesco
8/11/2018

A Entidade aponta que houve um movimento contrário, com o aumento do consumo de energia

O horário de verão, em vigor desde 1931 e que neste ano teve início em 4 de novembro, já foi muito importante para a economia de energia. Porém, a redução gerada no período já não se justifica mais. A avaliação é da Associação Brasileira das Empresas de Serviços de Conservação de Energia (Abesco), que aponta um movimento contrário, na verdade, um aumento no consumo de eletricidade nos últimos anos.

Segundo o presidente da Entidade, Alexandre Moana, os motivos para o horário de verão existir diminuíram ao longo do tempo. “O horário já não tem tanta relevância como antes. A argumentação do presidente é relacionado ao aparelho que se tornou o maior vilão do consumo de energia: o ar-condicionado. “Na prática, na maior parte do Brasil, esse aparelho é usado ao máximo. Por isso, essa mudança de horário não faz mais sentido”, enfatiza Moana.

Ainda segundo o presidente, o cenário é diferente de décadas atrás, quando o chuveiro era considerado o grande causador de desperdício. “O ar-condicionado não é que nem o chuveiro, que você liga durante cerca de dez minutos. Se alguém liga o ar, geralmente, são para períodos maiores; para dormir, por exemplo. Então, conclui-se que a temperatura é o que mais influencia os hábitos do consumidor e não a incidência da luz”, observa.

Eficiência energética

Moana explica que o ar-condicionado tem a possibilidade de ser mais eficiente do que o chuveiro, desde que haja um isolamento adequado do ambiente. “O chuveiro tem 96% de eficiência energética. Já o ar é variável. Por exemplo, se houver uma fresta aberta no local, pode haver desperdício de cerca de 20% de energia. Já a instalação de um aparelho com tamanho diferente do ideal pode gerar mais de 30% de perda. Se a casa for construída com a parede mais fina do que deveria e o sol estiver batendo justamente nela, o gasto de energia, desnecessariamente, pode superar os 40%”, explica.

Outro fator que poderia deixar o ar-condicionado mais eficiente é o dimensionamento dele de acordo com o tamanho do ambiente. “Às vezes, a pessoa tem um ar-condicionado pequeno para o tamanho da sala. Logo, vai gastar mais tempo para refrigerar o local. Há também aquele caso em que o ar-condicionado é muito grande, tem uma potência maior, não justificando o uso, se a sala é menor”, completa.

Economia de 8 dias

Para se ter uma ideia, nos 126 dias em que esteve em vigor entre o final de 2017 e início de 2018, o horário de verão gerou uma economia de 74,2MWh em 234 cidades atendidas pela CPFL Paulista, o equivalente ao abastecimento de uma cidade como Campinas (que possui de 1,1 milhão de habitantes) por apenas oito dias.

Fonte: Abesco

 

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