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Construcarta Conjuntura: Há razões para otimismo?
20/12/2018

Poucos acreditam que o ano de 2019 possa ser pior, mais tenso e mais incerto do que 2018

Os analistas econômicos que acompanham as expectativas de mercado divulgadas pelo Boletim Focus do Banco Central estão sinalizando um relativo otimismo com relação ao cenário econômico. Esse otimismo vem acelerando progressivamente nas últimas semanas. Na edição de 14 de dezembro, as projeções para o PIB de 2019 atingiram a marca de 2,55%, mais de meio ponto percentual acima do esperado em meados desse ano. Do mesmo modo, as expectativas para inflação estão convergindo para 4% no ano que vem e a taxa de câmbio, segundo essas mesmas expectativas, encerraria 2019 abaixo do observado em dezembro de 2018.

O crescimento do PIB não chega a ser algo impressionante, sobretudo se comprado ao de outras economias emergentes. Já a expectativa de inflação converge para a meta dos próximos anos (4,25% em 2019 e 4% em 2020). Por fim, caso se confirmem, as expectativas sobre o comportamento do dólar resultariam em uma calmaria cambial que muitos não imaginariam em meados desse ano, quando o clima político provou forte alta da moeda norte-americana.

São expectativas otimistas, dentro dos limites do possível e tendo em vista a fragilidade de alguns dos chamados fundamentos macroeconômicos, sobretudo os relativos às contas públicas.

A questão que se coloca é se há, de fato, razões para isso. E, nesses casos, o melhor a fazer é explicitar o que se encontra dos dois lados da balança.

Em um dos extremos, encontra-se a esperança relativa à aprovação de reformas estruturais de grande impacto, seja a previdenciária, seja a fiscal ou a (continuação da reforma) trabalhista. Todos os analistas defensores dos mecanismos de mercado enfatizam os benefícios de avanços como esses, aos quais se juntam as perspectivas de uma onda de privatizações/concessões. No entanto, até o mais liberal dos analistas precisa reconhecer que tais avanços não dependerão apenas da boa-vontade do Executivo, pois também exigirão diversas rodadas de negociação com o Congresso, sem falar em eventuais obstáculos colocados no caminho pela ação de agentes como o Ministério Público ou o TCU.

No extremo oposto, colocam-se os que se mostram pessimistas com relação à possibilidade de se costurar consensos mínimos dentro do próprio governo. A visão claramente liberal do futuro ministro da economia pode esbarrar em objeções (para não dizer, oposições) tanto de alas do próprio governo, quanto de setores da base parlamentar do governo. Até mesmo a ideia de que o governo terá, de fato, uma base parlamentar, dada a atual composição do Congresso, é questionada por certos analistas que veem nas “bancadas temáticas” grupos de interesse muito dispersos e pouco programáticos no que se refere a reformas estruturais.

Seja como for, poucos acreditam que o ano de 2019 possa ser pior, mais tenso e mais incerto do que 2018. Portanto, vale manter mesmo algum otimismo. Talvez, ainda pouco fundamentado, mas cheio de esperanças.

Fonte: SindusConSP

 

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